Essa coisa de mudança, adaptação, é relativa. No fundo sempre continuo sendo que sou. Querendo coisas muito parecidas. Não sei se foi uma ameaça, mas se realmente estiver indo embora, talvez não faça diferença. Já partiu. Foi se embora o que acreditei um dia. Mesmo querendo viver intensamente essa sede insaciável novamente, querendo acreditar nessa baboseira toda que uns juram que acreditam e outros juram que sentem nojo de quem vive. É normal essa defesa. Ter medo das coisas se repetirem. Eu disfarço bem. ... Aprendi com a vida. Com a dor. Um espaço foi conquistado, foi crescendo. Mal podia saber aonde eu estava, ou se restava algo de mim. Dor do vazio, do espaço em branco, da vaga que sobrou. Da falta. Dor que é disfarçada, mas doí. Nunca parou de doer. Por isso, agora que vai embora, não posso dizer que ainda não doa, embora esteja disfarçada. Foi o melhor que consegui aprender. ... Posso não ter tudo que sonhei na minha vida, mas isso não me faz parar de ser um sonhador. Disfarçand...