Oney, o carneiro, tinha a pela mais branca de seu rebanho, chifres lustrosos, era o mais belo. Quem o visse, dizia que ele era especial, alguns sábios diziam que ele faria algo grandioso por todo rebanho.
Ele, no seu intimo, sabia que era diferente. Não por ser bonito, na verdade, nem se importava tanto com ser ou não o mais belo. Sentia que tinha algo de muito diferente, mesmo antes dos sábios profetizarem.
Também, não deixava de se cuidar, costumava se pentear numa das árvores perto de onde costumava ficar.
Era muito calmo e amigo, sempre ouvia e gostava de dar bons conselhos. Apesar de ser jovem, Oney, amadurecera depressa demais, não se sentia à vontade com as coisas jovens de sua época, além de achar a maioria das meninas umas cabritas.
Queria muito aprender, se melhorar. Grande era sua divisão de virtude, porque se irritava interiormente com tudo de errado que acontecia, e por não ter poder nenhum, abaixava sua cabeça e se lamentava.
Na sua vila, muitas histórias contavam de carneiros valentes, que guiaram multidões, libertaram da escravidão, e fizeram greves - uma delas conhecida mundialmente pela Greve do Leite de Cabra.
São histórias fenomenais, mas que possuem um fim muito comum. Os "conspiradores" eram pegos e entregues para institutos religiosos que ainda cismavam em sacrificar carneiros, pois achavam que isso era mais valioso do que cavarem um buraco para porem suas cabeças - mas isso só porque ainda nenhum carneiro da mídia cavou um buraco e pôs a própria cabeça.
Sendo assim, pouco dos que ainda tinham um sentimento de "conspiração" eram silenciados e obrigados a se renderem ao seu sistema.
Oney - por sua vez - teve uma ideia maravilhosa: "Por que não declarar que uns amem os outros, respeitem, se ajudem?" Porem, logo viu que não adiantaria, lembrou de uma história que tentaram fazer isso, e o cabra da peste foi enterrado com a cabeça num buraco, mas como não viram muita graça, o levaram para algum ritual de sacrifício de animais, embora no meio do caminho o venderam para um restaurante árabe, onde terminou em espetinhos.
Teve então uma outra ideia, escrever num papel acusando todos de cúmplices e se nada o ajudassem a fazer uma revolução, ofenderia todos de "burros".
Só havia se esquecido que carneiros não sabem ler, muito menos escrever, muito menos ele, muito menos se acham melhores que burros.
Então, se deitou e resolver adiar para próxima noite. E assim fez, durante 200 anos. Nunca um carneiro viveu tanto, e morreu. (não que eu tenha colocado no google para ver qual seria esse recorde).
"muito menos se acham melhores que burros."
ResponderExcluirAHSUIAHSIUHAUISA, eu ri muito desse texto! a sua cara mesmo ... seu doidinho!