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Quem Sou [2]

É difícil conversar com alguém quando seu pensamento vai além do que muitos se esforçam para pensar.
Esse, resumidamente, sou eu.
Sempre tentando achar soluções para o qualquer problema. Achar respostas, razões, ou qualquer outra coisa que geraria um longo debate sobre/entre " o certo e o errado".
Trabalho árduo, mas sou eu. Todo instante, incansável - ou não.
Na verdade, eu canso.

Me vem a lembrança de pessoas que por apenas terem dito "ame uns aos outros" ou "se respeitem" foram altamente ridicularizadas, vítimas de acusações infundadas, torturadas, mortas - quando não, faziam tudo e ainda eram pregadas em algo de madeira.
No momento, por não pregarem ninguém em algo de madeira - ou coisa parecida - não significa que estamos felizes. Somos educados a sermos corpos dóceis. Ver acontecer algo errado, esbravejar, e nada fazer.
Uns pensam em quebrar, outros em greve, outros não vêem uma solução, outro, nem se quer, preferem ver algo.
Se há algo de errado na democracia, nos direitos humanos, na justiça... Isso realmente é nada, diante do Brasil sendo campeão da copa do mundo. Somos patriotas? Amamos nosso pais? Não nos amamos antes? Ou somos terrivelmente idiotas pensando estar tudo ótimo, mesmo com o nível de desemprego alto, a qualidade de ensino uma porcaria, a violência à espreita, e qualquer outro direito de bem-estar sendo roubado por lagartos egoístas sem um nano-pingo de vontade para governar.

Hoje, ao me aproximar de um banco na estação de trem tive um conversa.
- Senta aqui - disse uma senhora, dando espaço para eu me sentar, e prosseguiu - É melhor descansar, o trem deve vir cheio.
- Obrigado - respondi surpreso, e pensei se puxava assunto ou lia meu livro. Puxei assunto - Difícil, não é?
- É... - assentiu ela.
Depois de um reclamando daqui e outro dali.
- Se eu soubesse escrever - disse a senhora - mandaria para o prefeito. Não, não. Mandaria para o Lula. Minha neta disse que se soubesse escrever...
- Não adiantaria - disse sem pensar no que ela pensaria, mas prossegui - Reclamar muita gente faz, o que faria realmente a diferença seria fazer algo em potencial de ser pregado em algo.

Depois resolvi me calar. (a) Pensei em dizer que ela não era velha para aprender e que teria muito tempo para isso ainda, só que era bem velha e não sei como levaria meu incentivo. (b) Não estava muito interessada em pessoas pregando outras pessoas, e (c). Parecia estar bem... Não queria ser pregada a nada.

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